Aula ao vivo não é a melhor forma de educar durante a pandemia, afirma professor de Harvard

Especialista em educação internacional discorda de método das aulas ao vivo e frisa que pandemia pode acarretar em retrocesso educacional.

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Desde março de 2020, quando o isolamento social começou na maioria dos países, o especialista em educação internacional e professor da Universidade Harvard, Fernando Reimers, iniciou uma pesquisa sobre o impacto do ensino durante a pandemia em diversas nações.

Como fruto dos seus estudos, ele lançou, em fevereiro deste ano, o livro Leading Education Through Covid-19.  A obra narra a experiência de 28 líderes educacionais na pandemia, porém ainda não conta com tradução em português.

Fernando Reimers
Fernando Reimers

De acordo com o venezuelano Reimers, a inovação tem sido a aposta para conquista do ensino neste cenário. Entretanto, ele critica a metodologia de aulas ao vivo e afirma que, caso não haja liderança efetiva, inovação e cooperação entre governo e sociedade, a pandemia pode acarretar no “maior retrocesso na educação em um século”, diz em entrevista ao Estadão.

Inovação

Segundo o professor de Harvard, a inovação é uma ferramenta fundamental para disponibilizar algumas estratégias de continuidade educacional, isso enquanto as escolas não estão em funcionamento regular.

Porém, é certo que não é possível assegurar iguais oportunidades de aprendizagem obtidas no ensino presencial, ainda que com todas as suas deficiências.

Além disso, de acordo com o especialista, a pandemia frisou a necessidade de cultivar habilidades dos alunos para aprenderem de modo autônomo, assim como compreender os conhecimentos digitais.

Isso leva a crer que o destaque nessas questões deve prosseguir no pós-pandemia, procurando formas de complementar a educação presencial com a educação à distância (EaD).

Porém, ele mesmo destaca que os alunos trabalharão de forma autônoma ou com colaboração. “Não acho que as escolas remotas devam continuar depois da pandemia porque há benefícios indiscutíveis na educação presencial. As escolas talvez possam achar formas de complementar o ensino com atividades remotas”, afirma.

Consequências

De acordo com Reimers, ainda não se sabe qual será o impacto da aprendizagem em todo mundo, mas ele tem ciência de que muitos não terão aprendido quase nada e, alguns, nem retornarão à escola.

“A pandemia sem dúvida aumentará as desigualdades sociais. O grande desafio para os sistemas educacionais será tentar recuperar o aprendizado perdido e preencher essas lacunas”, frisa.

“A pandemia tem efeitos diretos e indiretos na educação. Os efeitos diretos são aqueles que resultam da aprendizagem interrompida pelo fechamento da escola. Os efeitos indiretos são aqueles que resultam do impacto da pandemia na saúde e nas condições de vida dos alunos”, acrescenta.

Na perspectiva do especialista, os próximos anos serão de muitos desafios para a educação. “A pandemia tem efeitos diretos e indiretos na educação. Os efeitos diretos são aqueles que resultam da aprendizagem interrompida pelo fechamento da escola. Os efeitos indiretos são aqueles que resultam do impacto da pandemia na saúde e nas condições de vida dos alunos”, finaliza.

Veja também: Datafolha: cresce número de pais que querem retorno presencial do ensino público

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