Princesa Isabel: Biografia, Abolição da escravidão, Curiosidades

A princesa Isabel era filha do imperador Dom Pedro II e ficou conhecida como A Redentora após assinar a Lei Áurea, que libertou todos os escravos.

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A princesa Isabel era filha do imperador Dom Pedro II e da imperatriz-consorte Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias. O título de oficial de Isabel era Princesa Imperial do Brasil, mas ela também ficou conhecida como A Redentora.  Ela passou a ser chamada assim após assinar a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.

Por ser a filha mais velha do imperador, a princesa Isabel era a herdeira do trono brasileiro. No entanto, a Proclamação da República, em 1889, acabou com a monarquia no Brasil. Após isso, a princesa foi para o exílio na França, onde passou os últimos anos a sua vida.

Biografia

A princesa Isabel nasceu no dia 29 de julho de 1846 no Palácio de São Cristóvão, onde ficava o Museu Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. Assim, como seu pai e seu avô Dom Pedro I, o seu nome completo também era longo: Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança.

Ela se tornou herdeira do Brasil aos 11 meses de idade devido a morte de seu irmão mais velho, Dom Afonso. Isabel passou a ser a herdeira presuntiva, que é quando não existe outro herdeiro aparente ou preferível.

Isabel perdeu o título de herdeira um ano depois, quando nasceu o terceiro filho de D. Pedro II, chamado Pedro Afonso. No entanto, ele também morreu prematuramente. Ela voltou a ser herdeira presuntiva e permaneceu, já que seus pais só tiveram mais uma filha.

A princesa teve uma educação intensa semelhante a de seu pai, com aulas durante seis dias na semana. Ela estudou astronomia, história, literatura, física, filosofia, geografia, geologia e artes como desenho, dança e pintura. Além disso, Isabel também aprendeu latim, francês, inglês e alemão.

Aos 18 anos, a princesa se casou com francês Luís Filipe Maria Fernando Gastão, o conde d’Eu. Apesar do casamento ter sido arranjado, Isabel declarou estar apaixonada pelo conde. O conde d’Eu era surdo, falava português muito mal e era considerado grosso, o que fez com que ele fosse rejeitado pela corte brasileira. Mesmo assim, ele comandou o Exército na Guerra do Paraguai.

O casal teve quatro filhos. Contudo, a primeira faleceu durante o parto e ela teve complicações nas outras gestações.

Regências

A partir da década de 1870, Dom Pedro II passou a viajar com frequência. Durante sua ausência, a princesa Isabel assumia o governo como regente do Brasil. No entanto, ela não se interessava por política, então era esperado que outros homens governassem de fato. Ela foi regente por três vezes.

Na primeira, em 1871, ela sancionou a Lei do Ventre Livre, que libertava todos os filhos de escravos nascidos a partir daquele dia.

Já na segunda, entre 1876 e 1877, a tensão entre Igreja e Estado e fraudes na campanha para eleição do gabinete governamental afetaram a popularidade da princesa. No período, Isabel sofreu um aborto e passou por uma gravidez difícil, o que fez com que ela ficasse ausente da vida pública.

Em 1887, Dom Pedro II adoeceu e foi para a Europa buscar tratamento, deixando Isabel como regente pela terceira vez. Foi nessa ocasião que ela assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão em todo o país.

Abolição da Escravidão

A princesa Isabel foi responsável por assinar a Lei Áurea no dia 13 de maio de 1888. No entanto, ela não é responsável por todo o processo que levou a abolição da escravidão, ou seja, a libertação dos escravos não aconteceu apenas por bondade da princesa.

Desde o início da década de 1880, o movimento abolicionista, formado por escravos e por parte dos brasileiros, intensificou a luta pelo fim da escravidão. Além disso, muitos escravos já estavam conseguindo liberdade ou fugindo para quilombos.

Portanto, a assinatura da lei foi apenas uma ação pressionada por todo o contexto político. Muitos historiadores dizem que a princesa preferiu ficar fora dessa questão até ser inevitável. Mesmo assim, ela carrega o mérito de ter assinado a Lei Áurea, que Dom Pedro II não tinha coragem de assinar por causa das possíveis reações das elites econômicas.

Fuga do Brasil e morte

Muitos proprietários de terras insatisfeitos com o fim da escravidão se juntaram aos militares descontentes com a ausência do imperador, que estava com a saúde fraca. Além disso, não era desejado uma mulher no trono brasileiro, ainda mais que a princesa Isabel não gostava de política e seria, provavelmente, o conde d’Eu que ficaria no poder. Assim, o Império brasileiro chegou ao fim em 15 de novembro de 1889, com um golpe de Estado que instituiu a República.

Dessa forma, a Família Real foi expulsa do Brasil e a princesa Isabel foi para o exílio na França. Lá, ela viveu uma vida calma com seu marido, já que ela apreciava uma rotina dedicada à família, religião, ações de caridade e às artes.

Foi permitido que a Família Real voltasse ao Brasil em 1920, mas ela estava doente demais para viajar. A princesa Isabel faleceu no dia 14 de novembro de 1921, aos 75 anos de idade.

Curiosidades

  • Depois da Proclamação da República, algumas pessoas desejam a volta da monarquia, mas a princesa Isabel recusou por não querer causar uma guerra civil;
  • Inicialmente, seu corpo foi enterrado na França, mas foi reenterrado na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, ao lado de Dom Pedro II, Teresa Cristina e Gastão, o conde d’Eu, seu marido;
  • O próprio Dom Pedro II recusava a ideia de uma mulher como imperatriz, mas Isabel era a sua filha mais velha e ele não teve outros filhos homens;
  • A princesa Isabel recebeu uma Rosa de Ouro do papa Leão XIII por ter assinado a abolição da escravidão;
  • Após a Proclamação da República, a  princesa escreveu que não se arrependia da abolição mesmo que tivesse sido a causa do fim do Império e que valia a pena perder o trono pela Lei Áurea.

Veja também: Conheça o imperador brasileiro Dom Pedro II

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