Revolta da Chibata: Resumo, o que foi, motivos, consequências

A Revolta da Chibata foi um motim que aconteceu em 1910, quando os marinheiros se revoltaram contra os castigos físicos aplicados pelos oficiais da Marinha.

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A Revolta da Chibata foi um motim que aconteceu no Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, entre os dias 22 e 26 de novembro de 1910. A revolta foi organizada por marinheiros insatisfeitos com os castigos físicos, conhecidos popularmente como chibatadas.

Além disso, muitos dos marinheiros eram negros e ex-escravos e eram comandados por oficiais brancos que utilizam do castigo físico para punir até mesmo pequenos delitos. Esses marinhos pediam o fim do que eles classificavam como escravidão por parte da Marinha brasileira.

Motivos da Revolta da Chibata

Após a Proclamação da República, uma série de revoltas aconteceram no país, como a Revolta da Vacina em 1904. Isso causou o declínio da qualidade da Marinha do Brasil em comparação a outros países da América do Sul. Com a crescente demais por café e borracha no início do século XX, o governo brasileiro começou a investir na Marinha. No entanto, a situação não melhorou para os marinheiros.

Os marinheiros eram negros e ex-escravos ou filhos de escravos, enquanto todos os oficiais eram brancos. Além dessa diferença racial, os negros eram menos educados do que os oficiais brancos. Também eram enviados para a Marinha como uma forma de punição e reforma, já que os marinheiros eram colocados lá por cometer crimes ou pela possibilidade se ser criminoso.

Outro problema para os marinheiros era a punição física. Embora fossem previstos por uma lei da época apenas para casos graves, os oficiais determinavam chibatadas até para pequenos erros. As autoridades da Marinha acreditavam que essas chibatadas eram a melhor maneira de manter a disciplina nos navios.

Associado a isso, está o fato de que o alto escalão da Marinha teve um grande aumento salarial, enquanto os marinheiros continuavam recebendo pouco. Além disso, a carga de trabalho cresceu por causa da construção de novos navios, mas isso não gerou aumento no salário dos marinheiros.

Todos esses fatores causaram muita insatisfação nos marinheiros, que traçaram os planos para uma revolta. No entanto, eles só resolveram agir quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas, quando o número máximo permitido era 25. Esse acontecimento é considerado o estopim da Revolta da Chibata.

Resumo da Revolta da Chibata

A Revolta da Chibata começou na noite do dia 22 de novembro de 1910 sob o comando do “almirante” João Cândido Felisberto. O motim começou quando os marinheiros assumiram o controle de alguns navios da Marinha. Em seguida, eles enviaram ao presidente Hermes da Fonseca uma carta com as seguintes exigências:

  • Fim dos castigos físicos;
  • Melhoria das condições de trabalho;
  • Alimentação de melhor qualidade nos navios;
  • Anistia para todos os marinheiros revoltosos.

Caso as exigências não fossem cumpridas, os marinheiros iriam bombardear a capital do país. Devido a demora do presidente para responder, os marinheiros de fato dispararam contra fortes militares na Baía de Guanabara. O governo não revidou ao ataque por não querer destruir os poderosos navios novos da frota brasileira.

Ao mesmo tempo, o Congresso começou a trabalhar em um projeto de lei para atender os pedidos feitos pelos marinheiros. A lei foi sancionada no dia 26 de novembro de 1910, dando fim a Revolta da Chibata.

Anuncio publicado pelo Correio da Manhã, 24 de Novembro de 1910.

Consequências

A lei que deu fim a Revolta da Chibata inocentava todos os marinheiros revoltosos. No entanto, o presidente, pressionado pela elite brasileira, voltou atrás com a sua palavra e dispensou os rebeldes da Marinha, alguns dias depois do fim do motim.

Além disso, marinheiros que não saíram do Rio de Janeiro e alguns que se revoltaram nos dias 9 e 10 de dezembro de 1910, cerca de 600, foram presos na Ilha das Cobras. O líder da revolta, João Cândido, e mais 17 marinheiros foram colocados em celas de isolamento. Desses marinheiros, 16 morreram por sufocamento, sobrevivendo apenas João Cândido e outro homem.

Outros marinheiros revoltosos foram levados para a Amazônia, para trabalhar à força na extração da borracha e da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

O líder João Cândido foi colocado em um hospital psiquiátrico por ter alucinações da noite na cela de isolamento. Ele e outros marinheiros foram julgados pelas revoltas de 9 e 10 de dezembro e inocentados. No entanto, nenhum pode voltar à Marinha.

No total, mais de 200 marinheiros morreram e aproximadamente 2 mil foram expulsos da Marinha, além dos que foram condenados a trabalhar na Amazônia. Entre os oficiais da Marinha, foram cerca de 12 mortes.

O governo brasileiro considerou as exigências dos marinheiros da Revolta da Chibata como justas apenas em 2008, quando todos os revoltosos foram inocentados.

Veja também: 15 de novembro: Proclamação da República

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